Características do jornalismo na sociedade atual

Nos tempos atuais, fala- se muito sobre as novas tecnologias e sobre o impacto que elas causam em nossas vidas. A sociedade passou a ser uma sociedade altamente conectada, onde 4 entre 5 indivíduos possuem aparelhos eletrônicos. A comunicação está cada dia mais complexa e a informação está cada dia mais acessível. A internet está conectada a tudo, televisão, rádio, carros, escolas e praças públicas. A mídia eletrônica, a forma tradicional se diferencia, por exemplo, o jornal impresso, que ainda existe, porém é pouco utilizado hoje em dia. As redes sociais não se limitam mais ao relacionamento e ao entretenimento, mas sim, também servem como fonte de pesquisas e notícias. A pesquisa Brasileira de Mídia 2015 aponta que as pessoas gastam cerca de cinco horas do seu dia conectados – tempo superior gasto com a televisão – essas pessoas estão conectadas por meio de redes sociais. O mundo tornou-se conectado, e a necessidade da informação virou um hábito (vício). Isto faz com que as redes sociais tenham o poder de tornar uma mensagem em uma opinião formadora. Este cenário seria bastante positivo para o jornalismo, porém pesquisas apontam que apesar das pessoas procurarem as informações pela internet, ainda sim, possuem desconfiança sobre a mesma. Quem nunca viu uma notícia na internet e automaticamente procurou em outros meios de mídias para saber se aquilo era realmente verdade? Quantos assuntos abordados, como a morte de um artista famoso ou um fato polêmico que nunca aconteceu geraram conflitos nas redes sociais? As pessoas se sentem confusas em meio a tantas informações lançadas ou se enxergam parcialmente informados. Não são poucos os erros cometidos pelos veículos jornalísticos online.

imagem da internet

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Tudo isso implica- se na credibilidade do jornalista, porque, por mais que na nova geração aparatada pelos aparelhos tecnológicos, onde se é permitido que todos criem e transmitam tais informações. È a partir daí que pode se perceber a diferença entre os que possuem potencial para tal e aqueles que possuem os meios para isso. O jornalista é sobre tudo aquele que é capaz de transmitir a verdade através do seu conhecimento, tendo a imparcialidade como seu referencial, fazendo com que o leitor seja capaz de confiar e assim assumir sua posição sobre o assunto abordado. Em um recente artigo do El País, Daniel Verdu fala sobre a reformulação que o jornalismo vem passando para recuperar a conexão com seus leitores. Na visão dele, a reformulação é a melhor maneira para falar com o leitor, pois hoje, compartilhar uma notícia é mais importante do que consumi-la. Devido a isso, alguns veículos têm utilizado novos formatos na hora de publicar nas redes sociais. A partir disso o jornalismo precisa aprender a se mover com desenvoltura dentro das mídias sociais, averiguando informações recebidas para serem passadas, possibilitando então que o leitor sinta-se seguro para desenvolver seu senso crítico, como dito anteriormente. Com o Facebook e outras redes sociais proporcionando novos caminhos para o jornalismo, o público moderno não espera trabalhar duro para “encontrar” a notícia, elas vão ter que ir aos leitores.

Decorrentes dessas reformulações graças à internet surgiram inúmeras empresas de comunicação, inovando a forma de produzir e passar as informações, elas incluíram uma nova plataforma onde cada matéria é formada especialmente para dispositivos móveis e é diagramada verticalmente para telefones. São fornecidas notícias por jornais, revistas e canais de tv, como por exemplo, a MTV, CNN e National Geographic. Eles optam por utilizar algo mais direto e simples, como imagens coloridas, vídeos, listagem, algo que não prenda o tempo dos seus leitores e sim, prenda apenas a atenção.

Com isso os aplicativos caem no gosto popular, criando forças e tornando- se os queridinhos da nova Era. Você, como eu, não deve desgrudar deles. Comentar, compartilhar e curtir é um hábito que foi gerado pelo Facebook, sendo ele o aplicativo mais utilizado entre os internautas, Whatsapp e Youtube ficam logo atrás, segundo pesquisa.

E essas reformulações de mídia têm gerado vários outros aplicativos, dentre eles um que obtém grande sucesso, o Snapchat.

imagem da internet

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 Snapchat é um bom exemplo de rede social, sem contar que ele é totalmente multimídia, ele permite que os usuários troquem fotos e vídeos que permanecem visíveis por no máximo 10 segundos, depois disso, o filme ou imagem desaparece e não é possível revê-la novamente. Isto aborda de forma clara o futuro da comunicação. O aplicativo faz tanto sucesso que estimula-se que a sua rede de acesso troque mais de 700 milhões de fotos ao dia, dez vezes maior que o famoso Instagram. O serviço é intuitivo, pessoal, privativo e fácil de usar, considerando que os consumidores de notícias/informação de hoje são seletivos – indo de fonte para fonte e de dispositivo para outro, dando às organizações de notícias uma quantidade limitada de tempo para segurar sua atenção. Além disso, ele oferece outra plataforma chamada Discover, é uma mistura de portal de web com revista digital, disponibilizando uma série de “canais” para folhear e caso tenha o interesse ler ou ver o conteúdo sem deixar a rede social. Seu objetivo é replicar em notícias, um ambiente gráfico que as pessoas já estejam habituadas a ver nas mensagens de amigos.

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Com isso, é possível observar as várias mudanças que as redes sócias provocam na sociedade, tanto no comportamento político do indivíduo, quanto no social. A comunicação tem trabalhado de uma forma individualista, exemplo maior disto: as famosas selfies. Há uma necessidade de ser exposto e assim reconhecido. São seletivos, em busca de coisas que lhe agradam, como o prazer material. Procuram afeto meio a curtidas e comentários, esquecem-se da essência da humanidade, do contato físico, da conservação das relações. A internet quebra as barreiras da distância e distancia os que estão próximos. Redes-SociaisPois o mundo todo se encontra conectado e ao mesmo tempo sozinho. “Quanto mais individualistas nos tornamos, mais temos necessidade dos outros”, afirma o sociólogo Marcello Barra. Devemos então entender que é necessário humanizar as relações, vivermos no meio termo. Como já dizia Aristóteles “A virtude se encontra no equilíbrio”.

Veja um vídeo que mostra um pouquinho da nossa realidade atual:

Os dispositivos móveis podem ser uma ameaça ou uma oportunidade. Por isso é necessário estar atento a tudo que surge nas redes. Como diz o ditado popular “nem tudo que reluz é ouro”. As mudanças são reais e necessárias para se encaixar nessa nova sociedade cibernética, é preciso que sejam geradas matérias de qualidade e conteúdo, este deve ser o ponto alto do novo jornalismo, caberá aos jornalistas, formadores de opinião, se adequarem a essa nova realidade.

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Amor tecnológico: você é minha e não é.

Quantas pessoas no mundo trocariam um companheirismo carnal, por um amor que preenchesse o coração, que o completasse; fosse compressivo, acolhedor e estivesse com você a todo o tempo? O  filme Her (ELA) é uma demonstração do paradoxo que vivemos no mundo globalizado, das facilidades de comunicação, do isolamento, dos relacionamentos íntimos com celulares e computadores e da perca do contato físico.

Em um contexto futurístico, o filme dirigido por Spike Jonze mostra a sociedade moderna nas mãos da tecnologia. O filme lançado em 2013, em Los Angeles, retrata a sensibilidade e a solidão do personagem Theodore Twombly, interpretado pelo ator Joaquin Phoenix.  Theodore é um homem visivelmente triste, onde lida com a recente separação de sua esposa, tendo um trabalho melancólico escrevendo cartas pessoais e de afeto para outras pessoas. Com isso, faz da tecnologia seu refúgio. Descobre então um sistema operacional com inteligência artificial denominada Samantha, capaz de se modelar de acordo com as necessidades do seu proprietário e reconhecendo suas vulnerabilidades, ela o deixa fascinado. O relacionamento deles passa a ser mais intenso, ou redigindo melhor, o relacionamento expande-se de sistema operacional e proprietário para se tornar homem e “mulher”.her-joaquin-phoenix-17

Esse é o ápice do filme, como pode haver um relacionamento afetivo entre eles? Ainda mais sem o contato físico. Porém, o contato físico é apenas um detalhe, pois isso já é visto graças à internet e as redes sociais que proporcionam a interatividade e o relacionamento entre pessoas de todos os cantos do mundo. Mas será possível o inter-relacionamento entre proprietário e sistema? Tendo em vista que ao passar dos tempos à carência depositada nos meios tecnológicos é extrema, torna-se patologicamente impossível viver sem eles. De acordo com o conceito cibercultura,”esta interconexão generalizada, utopia mínima e motor primário do crescimento da internet, emerge como uma nova forma universal” (Levy, Pierre). A cibercultura é o hábito de se manter conectado. Alguém já deve ter perguntado a você como seria viver uma semana inteira sem os aparatos tecnológicos que nós tanto usamos hoje em dia, é quase impraticável. Tornaram-se parte de nós mesmos. Verificar emails, navegar na web, comentar e compartilhar informações, pesquisar e acessar redes sociais são um hábito que todo mundo criou, é a nova cultura dessa geração.

Durante todo o filme foi possível observar as pessoas com seus celulares/computadores, falando sozinhas e sendo individualistas. Nada diferente do tempo atual. Devo afirmar que fiquei um tanto quanto integrada, confusa, pensativa e até mesmo enfurecida Mas ainda sim me faz questionar se a realidade proposta no filme um dia será possível.

Apesar de toda a complexidade da história é impossível não se envolver nela e é impossível não torcer pelo final feliz. Theodore foi conduzido pela máquina e não obteve um belo resultado, Samantha, sendo um sistema operacional deixa de funcionar. Theodore então entende que mesmo que a tecnologia seja necessária, é notável a necessidade de uma vida com mais humanidade, viver além do que a tecnologia proporciona.

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O filme é cativante, inusitado e profundo. Te faz ter muitos sentimentos e várias perguntas na cabeça, deve ser isso o mais interessante, dentro deste liquidificador de ideias você pode tirar um apanhado de semelhanças com a própria realidade e vários pensamentos sobre porque somos desse jeito: seres imperfeitos e ao mesmo tempo tão apaixonantes. Viciados por tecnologia, mas ainda cheios de amores por bilhetes feitos à mão. Her (ela) é um profundo estudo sobre as relações humanas, sobre as transformações que sofremos pelo meio tecnológico e sobre o vazio que eventualmente pode vir nos abraçar por um tempo.

Vale a pena conferir essa trama futurística. Confira o trailer a seguir:

Jornalismo explicativo: como e por quê?

Estamos vendo em resenhas anteriores como o jornalismo tem se tornado cada dia mais digital. Como as mídias tradicionais têm deixado de ser o referencial e perdendo o espaço em meio ao público, tornando-se cada vez mais mutável e flexível.

Com base no texto de Mario Cavalcanti no site jornalistasdaweb. É possível observar novas tendências do jornalismo, dentre elas: o jornalismo explicativo, onde se é explicado às notícias que circulam nos jornais. É importante ressaltar que esse tipo de jornalismo foi criado para o melhor entendimento do leitor/público. Onde, a intenção é tornar o indivíduo que se questiona participante ativo.

Em um mundo onde obter informações é simples e fácil, tendo em vista que alguns casos a informação é abundante demais, os leitores esperam entender completamente as notícias do dia-a-dia assim que acontecem, eles não esperam pela opinião dos meios midiáticos e sim querem que todos os fatos sejam apontados de uma forma perceptível a eles.

Essa tendência vem ganhando muito espaço e credibilidade dentro da internet. Em 2008 foi criado um blog de análises de dados e de pesquisar de opinião sobre política, esportes e economia, pelo jornalista e estatístico americano Nate Silver, o blog foi chamado de FiveThirtyEigth. Logo, em 2010, o tradicional The Guardian criou o site de dados DataBlog. A partir disso surgiram diversos outros sites com a mesma ferramenta e intuito, como por exemplo, o também tradicional Washington Post que traz em sua plataforma uma grande oferta de gráficos explicativos, e o Vox.com da Vox Media.

Visando ajudar o público questionador e dar a eles o melhor entendimento, o jornal The New York Times agora mantém um canal digital intitulado The Upshot. Tendo a intenção de oferecer uma combinação de jornalismo de dados e reportagens didáticas, tudo em uma linguagem clara de fácil entendimento. Comandado pelo Editor David Leonhardt, que afirma que o objetivo principal do The Upshot é ajudar as pessoas entenderem notícias e temas complexos. Com isso, eles buscam que o leitor crie o hábito de analisar e interagir. Apostam na inovação para facilmente decodificar temas complexos. Saindo do famoso contexto quem, o quê, quando e onde passando a abordar o como e por quê?

Deste modo é plausível afirmar que simplificar e combinar são cada vez mais as palavras de ordem no jornalismo atual. Entramos numa lógica de jornalismo explicativo que advém das possibilidades que a internet acarreta. A disseminação de dados digitais criou novas oportunidades para o jornalismo, se antigamente os relatórios de dados eram uma ferramenta utilizada habitualmente pelos jornalistas, atualmente com a internet o acesso a dados e informações está ao alcance de todos.

Devemos levar em conta também o aumento relativo dos profissionais dessa nova era de tendências de “novo jornalismo”, onde há uma grande procura de profissionais de diversas áreas, como jornalistas, editores, repórteres, especialistas em análise de dado, designers entre outros. Pessoas capazes de fornecer informações coerentes, para que o público se torne consciente e formando assim opiniões.

Tudo indica que a nova tendência veio para ficar. E como podemos perceber, todos os projetos citados tem em comum o propósito de tentar explicar para o público, seja a partir de análises, gráficos, e diversos outros recursos, diversos temas e notícias, o jornalismo explicativo, que busca não apenas apresentar uma notícia de forma didática, mas sim em muitos casos, se aprofundar nelas.

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As escolhas que fazem você

Em nenhum momento imaginei chegar tão longe, conquistar e aprender tantas coisas. O sonho do futuro acadêmico é um sonho que todos cultivam. Os pais de todas as gerações esperam proporcionar estudo e educação para os seus filhos, comigo não foi diferente. O sonho de ver sua filha “se tornar alguém” sempre motivou minha mãe, porém quando concluí o ensino médio aquilo não era possível devido à realidade em que estávamos inseridas.

Foi preciso que acontecessem diversas coisas e aspectos realmente negativos, para que eu pudesse entender que era a hora de recomeçar e buscar aquilo que meu coração desejava. Renascer e se “tornar alguém”, era o meu maior objetivo. Daí surgiu à questão, que tipo de pessoa eu gostaria de me tornar? O desejo do meu coração deveria falar mais alto?

Foi então que decidi cursar jornalismo. Junto à escolha, vieram às dúvidas e o medo, talvez não fosse aquilo que eu esperava.  Escutei diversas vezes “Mas você é tímida, como vai encarar as câmeras?” “Mas no interior não tem área” “Isso dá dinheiro?”. Resolvi arriscar, e ver se realmente era aquilo que desejava, não deixei ser comandada pelo medo. Afinal, sempre me identifiquei com o curso, apesar dos pesares.

Comecei os estudos em fevereiro de 2014, no Isca Faculdades, em Limeira. A ansiedade me comandava e a curiosidade por estar em uma faculdade, ainda mais sem conhecer ninguém. Estudar em outra cidade era necessidade, não opção. Tudo era novo, pessoas diferentes, cidade diferente, uma realidade diferente do ensino médio. O desejo de novo conhecimento e a sede do futuro eram tão grandes quanto ao medo.

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Sinceramente, estudar jornalismo é muito além do que eu imaginava. Os primeiros semestres foram aquilo: criar novos laços de amizades, se questionar sobre se era aquilo realmente que eu queria fazer, se dedicar inteiramente e quebrar a cara, se dedicar ainda mais para se superar e ver que aquilo gerou resultados, querer crescer cada dia mais.

Depois que me tornei uma universitária a minha vida não é a mesma, a faculdade me proporcionou uma explosão de sentimentos e sensações.  Nervosismo, ansiedade, angústia, insatisfação, cansaço e sono (principalmente sono, risos) se tornaram presentes na minha vida como estudante universitária. Há também os lados positivos, comecei a perceber que afloraram em mim o meu lado questionável e consciente, onde aprendi que tudo deve ser refletido e questionado. Que existem vários aspectos. Tudo é conhecimento, tudo é questionável. A área de humanas é uma eterna evolução. Agora posso afirmar que adquiri o senso crítico.

Não posso deixar de ressaltar também outro ponto positivo, nada disso seria possível se eu não tivesse comigo pessoas maravilhosas que hoje posso chamar de amigos, amigos que fazem a responsabilidade de “se tornar alguém” mais leve. Pessoas com personalidades totalmente diferentes, pensamentos opostos, gostos diferentes, buscando o mesmo objetivo que eu. Pessoas que apesar das diferenças, parecem estar na minha vida há anos, é como se eu já os conhecesse. É saber que você tem com quem contar em todos os momentos. É querer tê-los por perto sempre. E eu vou ser eternamente grata, por eles me permitirem participar desse grupo, um grupo meio torto e dos avessos, mas que fazem da minha vida, uma vida muito mais feliz.

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Hoje, cursando o 3ª semestre, estou contente com a evolução que obtive, espero aprender e evoluir cada dia mais. Tenho muito que aprender ainda, existe um mundo enorme lá fora que tenho o desejo de desvendar, mesmo sabendo que nem tudo são flores. Como jornalista, aprendi que é necessário que se mostre a verdade. É preciso que alguém exponha os que os olhos crus não enxergam, e tentar passar isso da melhor forma possível.

Sendo assim entendi que, como em todas as escolhas que resultam em algo, o jornalismo inserido em minha vida resultou em alguém muito mais coerente, que busca aprender e evoluir para poder passar aquilo que foi aprendido.

Existe uma frase de um livro (meio clichê, diga-se de passagem) que se chama: Se eu Ficar. Eu adoro essa frase, me identifico bastante, ela concluí e responde o porquê sobre eu escolher e amar essa profissão. “Às vezes você faz escolhas na vida e às vezes as escolhas fazem você”.

Com isso, o que me resta é aguardar os frutos que estou plantando, que seja breve a colheita!! Como já dizia Cazuza “Vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”.

Leia também: https://historiasquetecontam.wordpress.com/

https://pamelagalzerano.wordpress.com/

https://meubrilho.wordpress.com

Blog’s e suas identidades

Como já visto no post anterior “Novo jornalismo”, é possível observar que com o avanço da tecnologia, os meios comunicacionais, e suas novas formas, estão mais potencializados e com a mesma qualidade de cobertura das mídias tradicionais. Isso levou a jornalista Larissa Morais, entrevistar o jornalista e blogueiro Ricardo Noblat, e ter sua entrevista veiculada no site Observatório da Imprensa. Larissa usou sua entrevista como base para sua dissertação de mestrado que discursava sobre as transformações do jornalismo a partir dos blogs de jornalismo.

A jornalista o selecionou devido ao entusiasmo que o blogueiro fomenta seu blog, pela qualidade na cobertura, assim como os grandes jornais. Sendo Ricardo Noblat um dos primeiros blogueiros a chamar a atenção das redações com seu blog como veículo de cobertura política, “Blog do Noblat” tornou-se veiculado ao site Estadão.com.

Noblat que antes foi repórter, editor, colunista e chefe de redação, declara que a diferença do blog para o jornalista é: poder misturar todas as variedades, às vezes do mesmo texto, mas em muitos gêneros jornalísticos. Tendo em vista que o blog possuí a interação entre o leitor e o escritor, onde a atenção deve ser redobrada. Pois no blog há uma liberdade de jeitos e gostos, diferentemente das regras e fórmulas empregadas pela televisão, rádio e redação. Sublinha também que é na confusão democrática que está empregado o blog, considerando que todos os dias recebe críticas, ataques e provocações. “Cada um tem direito de achar o que quiser. Se você não for capaz de entender isso, então é melhor não fazer blog”.

Além disso, o que incrementa os blogs também é o marketing que é empregado neles “Quando o blog dele (Moreno – outro blogueiro conceituado) surgiu, o meu já existia. Aí nas primeiras edições ele me deu umas porradas e disse: olha vamos fazer de conta que a gente está brigando e somos inimigos. Assim levo leitor para ele e ele para mim” esclareceu Ricardo. Sendo assim, o que importa é tornar-se assunto, como no ditado popular “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Simultaneamente o que ressalta isso é a multiplicação de textos de blogs em mídias tradicionais e em suas edições impressas, onde expande uma abertura de um estilo autoral, influenciando a mídia tradicional e seus jornais. Sendo que resistir seria inevitável.

Dessa forma os critérios de noticiabilidade em uma notícia no blog são as mesmas que em uma mídia tradicional. “Notícia é tudo que o jornalista acha que é notícia, e com o espaço do blog o espaço da notícia se torna mais amplo, por não existir regras” Assume o jornalista.

Portanto, com toda essa fragmentação e reformulação do jornalismo atual, a multimídia promete renovar valores e estruturas, impactando profundamente na produção jornalística, e consequentemente no perfil do jornalista. É visível que o blog se transformou em uma possibilidade de propagação de informações, pela internet e em um formato muito mais interativo e independente do jornal tradicional. Logo, o que será levado em conta são as formas e as qualidades em que a notícia está sendo aplicada. Em visto que, a variedades de recursos e ferramentas são extensas, aquele que conseguir se sobressair, ganhará o topo, ou na linguagem cibernética: o maior número de seguidores, curtidas e comentários.

Novo Jornalismo?

O vídeo “Jornalismo do futuro”– com Leonardo Sakamoto traz um conjunto de ideias, que abordam a sucessão de mudanças dentro do jornalismo. Nele, podemos observar os hábitos sendo substituídos, onde o papel impresso “perdeu” sua credibilidade; sendo ocupado pela mídia digital.

A rotina de ler jornais impressos será extinta em breve, pois, o interesse público atingiu um novo tipo de mercado, um mercado onde tudo é voraz e substituível. Um salto violento que se dá pela internet. O que era um hábito sentar-se a mesa e apreciar seu café da manhã, lendo jornais, hoje devido ao tempo escasso e o dinamismo oferecido pela multimídia tornou-se raridade. As pessoas se rendem a aquilo que lhes propõe comodismo e praticidade.

Com a facilidade da internet e o mundo tendo a sua fragmentação, é possível que o público encontre aquilo que ele deseja. Existe uma cooperação entre o homem e o computador. A internet cresceu e se expandiu, tornando-se também um meio comunicacional. Onde as pessoas buscam formar e dividir opiniões.

As mudanças aconteceram rápidas demais e o jornalismo foi obrigado a mudar seu perfil. A tecnologia criou um novo tipo de leitor, o leitor e consumidor. Onde os interesses tornaram-se uma necessidade.

Com essas mudanças, muda-se também o papel do profissional na área de jornalismo,onde ele tem que se adequar, tendo em vista que, o ‘‘novo jornalismo” depende também de publicidade. Questiona-se então qual a diferença entre o jornalismo e a publicidade? Foi observado que, as pessoas preferem as informações rápidas e diretas, em um meio que coincide com tudo que ela busca, por exemplo: Google e Facebook. Portanto, o publico se importa cada vez menos com a notícia em si e seus processos comunicacionais empregados. E a notícia torna- se mercadoria a serviço dos proprietários de mídias e as grandes corporações.

Na ideia apresentada no vídeo, Sakamoto mostra que os meios comunicacionais não vão ter espaço suficiente para todos, porém induz várias respostas que solucionam o “novo jornalismo” como: grandes publicidades em sites e blogues, publicidade sobre a notícia, doação de notícias, cooperativas, doação sobre a matéria individual, o estado, crowdfunding ( modalidade de investimento onde pessoas investem dinheiro no seu negócio, afim de dar vida a sua ideia) (porém ele acha esta ideia ilusória, pois a ideia de assinatura mensal privatizaria os leitores ao compromisso ). Ou seja, não existe uma ideia central que mostre literalmente o que será o futuro do jornalismo e qual será a sua cara, porque delimitar-se a isso seria como se prender a ideia de mídia impressa, mas como já dito anteriormente a internet expandiu essa barreira e proporcionou o desenvolvimento das necessidades dos meios de comunicação.

As constantes mudanças

Através do vídeo “As diferentes faces do jornalismo”- com Bruno Figueiredo é possível identificar que, a maioria dos jornalistas escolhe a profissão com o interesse em interferir no mundo atual tentando transforma-lo em um mundo melhor. Onde os pilares do jornalismo é o compromisso com a verdade e o interesse público.

Porém, é possível observar que o jornalismo na vida real é totalmente oposto a aquela ideia empregada posteriormente, onde a base que sustenta o jornalismo é o lucro e a manutenção do poder. Tendo em vista que, os veículos de comunicação são usados como ferramentas, porque primeiramente eles são uma empresa, e como todas as empresas necessitam de lucros. Sendo meios midiáticos,a forma que encontram para obterem lucros é por anunciantes, que na grande maioria são as grandes empresas e o governo.

Então lança-se o seguinte questionamento: Como fiscalizar e entregar dados dos seus próprios anunciantes, sendo que a fiscalização de tais podem resultar no fim daquilo que os fazer gerar a notícia? Conclui-se então, que como não à interferência não háo compromisso com a verdade e nem com o público.

A ideia apresentada por Figueiredo mostra também a disputa por audiência e público. Onde há adequação de valores e filtragem de dados, ao ambiente do público alvo. E os profissionais acabam sendo prejudicados, sofrendo uma barragem do editor (o famoso gatekeeper), pois eles interferem nas pautas, possuindo o poder de dar a progressão a notícia, ou mata-las. O que acaba prejudicando a interação com o repórter e o público.

O público de uma forma em geral da muita credibilidade ao meio comunicacional, levam muito em conta o que se mostra nos veículos, acreditam que, o que se mostra ali é a realidade dos fatos. Sendo usados para formar uma visão e opinião, sem nenhum questionamento. Por outro lado, está sendo criado um novo cenário onde é possível se questionar e interagir, paralelo à mídia tradicional, por meio da internet.

A internet proporcionou novos veículos comunicacionais, mídias independentes e as redes sociais. Formas alternativas que permitem o relacionamento com a mídia, pois com elas há facilidade e praticidade aos conteúdos produzidos. Logo, foi observado que o perfil do público também foi mudado, onde a porcentagem de pessoas que aderiram a mídia digital está em constante crescimento.

Bruno Figueiredo aborda o “jornalismo cidadão” e o “midialivrismo”.Nele, ele mostra vídeos onde ele teve um confronto e a interferência da mídia tradicional, sendo responsável por pautar a mídia. Um desses vídeos se tornou capa dos grandes portais e jornais, com o fim de, mostrar e assumir ao público a realidade dos fatos. “Conseguimos fazer um comandante da PM de Brasília tomar um puxão de orelha ao vivo na rádio. Isso que são exemplos que eu ainda acho que são muito pequenos do que ainda podem ser feitos, então queria dizer, chamar a atenção para todo mundo que quer fazer jornalismo, que seja jornalista ou não; que a rede proporciona pra gente fazer um jornalismo de verdade, não um jornalismo de mercado, um jornalismo que a gente aprende na faculdade”. Concluiu Figueiredo.

Portanto, o vídeo aborda o novo perfil do jornalismo e a sua nova reformulação que está diretamente ligada à internet e seus derivados, e a forma em que ela facilita a interação com o público.