Amor tecnológico: você é minha e não é.

Quantas pessoas no mundo trocariam um companheirismo carnal, por um amor que preenchesse o coração, que o completasse; fosse compressivo, acolhedor e estivesse com você a todo o tempo? O  filme Her (ELA) é uma demonstração do paradoxo que vivemos no mundo globalizado, das facilidades de comunicação, do isolamento, dos relacionamentos íntimos com celulares e computadores e da perca do contato físico.

Em um contexto futurístico, o filme dirigido por Spike Jonze mostra a sociedade moderna nas mãos da tecnologia. O filme lançado em 2013, em Los Angeles, retrata a sensibilidade e a solidão do personagem Theodore Twombly, interpretado pelo ator Joaquin Phoenix.  Theodore é um homem visivelmente triste, onde lida com a recente separação de sua esposa, tendo um trabalho melancólico escrevendo cartas pessoais e de afeto para outras pessoas. Com isso, faz da tecnologia seu refúgio. Descobre então um sistema operacional com inteligência artificial denominada Samantha, capaz de se modelar de acordo com as necessidades do seu proprietário e reconhecendo suas vulnerabilidades, ela o deixa fascinado. O relacionamento deles passa a ser mais intenso, ou redigindo melhor, o relacionamento expande-se de sistema operacional e proprietário para se tornar homem e “mulher”.her-joaquin-phoenix-17

Esse é o ápice do filme, como pode haver um relacionamento afetivo entre eles? Ainda mais sem o contato físico. Porém, o contato físico é apenas um detalhe, pois isso já é visto graças à internet e as redes sociais que proporcionam a interatividade e o relacionamento entre pessoas de todos os cantos do mundo. Mas será possível o inter-relacionamento entre proprietário e sistema? Tendo em vista que ao passar dos tempos à carência depositada nos meios tecnológicos é extrema, torna-se patologicamente impossível viver sem eles. De acordo com o conceito cibercultura,”esta interconexão generalizada, utopia mínima e motor primário do crescimento da internet, emerge como uma nova forma universal” (Levy, Pierre). A cibercultura é o hábito de se manter conectado. Alguém já deve ter perguntado a você como seria viver uma semana inteira sem os aparatos tecnológicos que nós tanto usamos hoje em dia, é quase impraticável. Tornaram-se parte de nós mesmos. Verificar emails, navegar na web, comentar e compartilhar informações, pesquisar e acessar redes sociais são um hábito que todo mundo criou, é a nova cultura dessa geração.

Durante todo o filme foi possível observar as pessoas com seus celulares/computadores, falando sozinhas e sendo individualistas. Nada diferente do tempo atual. Devo afirmar que fiquei um tanto quanto integrada, confusa, pensativa e até mesmo enfurecida Mas ainda sim me faz questionar se a realidade proposta no filme um dia será possível.

Apesar de toda a complexidade da história é impossível não se envolver nela e é impossível não torcer pelo final feliz. Theodore foi conduzido pela máquina e não obteve um belo resultado, Samantha, sendo um sistema operacional deixa de funcionar. Theodore então entende que mesmo que a tecnologia seja necessária, é notável a necessidade de uma vida com mais humanidade, viver além do que a tecnologia proporciona.

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O filme é cativante, inusitado e profundo. Te faz ter muitos sentimentos e várias perguntas na cabeça, deve ser isso o mais interessante, dentro deste liquidificador de ideias você pode tirar um apanhado de semelhanças com a própria realidade e vários pensamentos sobre porque somos desse jeito: seres imperfeitos e ao mesmo tempo tão apaixonantes. Viciados por tecnologia, mas ainda cheios de amores por bilhetes feitos à mão. Her (ela) é um profundo estudo sobre as relações humanas, sobre as transformações que sofremos pelo meio tecnológico e sobre o vazio que eventualmente pode vir nos abraçar por um tempo.

Vale a pena conferir essa trama futurística. Confira o trailer a seguir:

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